sábado, 26 de junho de 2010

Lições sobre "autoridade"...

Uma das coisas mais difíceis para uma mãe é convencer os filhos a dormirem em suas próprias camas. É uma delícia colocar um bebezinho prá dormir com você, sem falar na comodidade que isso traz, pensando que um bebê deve ser alimentado de 3 em 3 horas mesmo durante as madrugadas. No entanto, além de ser perigoso, deixar a criança dormir na cama dos pais pode se tornar extremamente desconfortável! O bebê que ocupa um pequeno espaço na cama ocupará todo o SEU espaço quando tiver 3 ou 4 anos. Isso sem contar nos xixis que escapam durante a noite, nos braços e pernas que "voam" prá todo lado... que pesadelo!
O Mi e a Clara dormem cada um na sua cama. Isso não é nem discutido! Durante a noite o Miguel levanta prá fazer xixi e dá uma passadinha no meu quarto. Então eu tenho que exercer a chamada "voz de autoridade" e mandá-lo de volta pro quarto dele. A Clara nem acorda durante a noite - graças a Deus! Mas de manhã, não tem jeito: os dois pulam na minha cama. Eu aproveito prá "namorar" meus filhos, afinal isso só acontece no final de semana, já que nos outros dias eles vão dormindo prá casa da avó enquanto eu vou trabalhar.
Hoje, enquanto eles assistiam desenho enrolados do meu edredon, eu aproveitei prá tomar um banho. Quando terminei, vi a Clara reclamando alguma coisa e colocando a mãozinha no bumbum. Eu já fiquei desesperada! Ela estava sem fraldas, já pensou fazer cocô ali na minha cama? Eu, então, me enrolei na toalha, pus outra na cabeça, e corri desajeitada para o quarto.
- Clara, num pode fazer cocô aí, hein! Você quer fazer cocô?
- Nããããão!
Eu insisti, fechando a cara e apontando o dedo prá ela:
- Tem que fazer cocô no banheiro, ouviu? Se fizer aí eu vou ficar muito brava, mocinha! Muito brava!
Ela, então, virou pro Miguel, que estava deitado ao lado, e falou rindo:
- A mamãe é muito doida, né?
E o Miguel respondeu:
- Num liga não, Clara. Ela é assim mesmo.
É... pelo jeito a minha "voz de autoridade" é, na verdade, cômica...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

6 razões para NÃO ter filhos... (4ª razão)

4ª razão
FILHOS CRESCEM!
Eu sei! Para os pais os filhos são sempre como crianças, não é mesmo? Eu já completei 31 anos, minha irmã tem 30, e minha mãe continua nos chamando de "meninas". Não há problema algum nisso, desde que os pais não TRATEM seus filhos como crianças - mesmo que tenham quase 4 dezenas de velinhas no bolo de aniversário. Os filhos crescem! Isso pode parecer óbvio, mas não é. Se o fosse, não veríamos tantos marmanjos por aí sem nem mesmo saber lavar um copo ou uma cueca sozinhos... não veríamos tantas jovens tendo filhos e deixando-os na casa dos avós porque precisam sair prá balada... não veríamos tantos adolescentes tolinhos achando que podem fazer o que quiserem, pois os pais se responsabilizam pelos eventuais danos.
Como trabalho em uma escola, já vi muitos pais reclamando que não sabem mais o que fazer com seus filhos. Estou falando de crianças de 9, 10 anos que já dão tanto trabalho que chegam a escutar dos pais frases do tipo "eu mesmo vou ligar pro Conselho Tutelar e pedir prá eles buscarem você, porque eu não te aguento mais". Agora eu pergunto: o que essa criatura (e aqui me refiro à mãe) fez até agora? Como uma criança de 9 anos consegue se perder em tão pouco tempo? E eu ouso responder: não foi a criança que se perdeu, foram os pais que fizeram com que ela se perdesse! Afinal, aquela criança não nasceu com 10 anos de idade. O que era tolerável aos 3 (e obviamente foi apenas tolerado) tornou-se insuportável aos 10. Como será aos 20?
Fico impressionada com a quantidade de pais que literalmente ESTRAGAM seus filhos e pensam que estão fazendo um bem enorme para eles. E não pensem que são crianças que só escutam "sins"... não se engane! A pior coisa que um pai pode fazer na educação de uma criança é ter o "não" como primeira opção de resposta, mas não conseguir sustentá-lo. As crianças nos testam o tempo todo, isso é normal. E os pais, tão perdidos que estão, acham que basta dizer "nãos", sem "porquês". Ora, todo "não" tem uma razão! E sem razão, o "não" acaba virando "sim". E quando isso acontece, lamento, mas você está prestes a perder o seu filho. Sabe aquela criança manhosa, birrenta, que sempre ganha no final? Pois é... ela vai crescer! É o ciclo da vida! E ela vai se transformar naquele adulto (adivinhe!?!) manhoso e birrento, que sempre vai querer ganhar no final! Bem, para vislumbrar as consequências disso, basta ouvir qualquer noticiário ou abrir as páginas de um jornal.
Portanto, se você não está disposto a dar razões para os seus "nãos" e sustentá-los como "nãos"; se você acha que uma criança, para ser feliz, tem que SEMPRE conseguir o que quer; se VOCÊ acha que VOCÊ sempre tem que conseguir o que quer; se você ainda é o "bebezinho da mamãe" e acha isso ótimo (meu Deus!), é melhor você não ter filhos. Afinal, filhos crescem! Mas cabe a nós não deixar que eles cresçam só por fora...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lições sobre "humildade"...

A Clara está uma tagarela! Ela puxa assunto com todo mundo, dá palpite em conversa de adulto, inventa razões prá ter o que pede... E, é lógico, todo mundo acha lindo e aproveita prá "interagir". Ontem, enquanto estávamos batendo papo com alguns amigos na frente da igreja, ela passava o "baton da moranguinho".
- Olha meu baton...
Todo mundo mudou de assunto e começou a falar do batonzinho da Clara. Até que um amigo, querendo esticar a conversa, falou:
- Passa baton aqui no tio!
Ela olhou desconfiada, escondeu o baton nas mãozinhas e respondeu rindo:
- Você num pode passar baton!
- Ah é, né, porque eu sou menino!
- Você num é menino! Você é homem!
E a esposa desse nosso amigo completou:
- E você é linda!
Pois, prá não deixar de ter a última palavra, a Clara pôs o ponto final na conversa:
- Eu num sou linda. Eu sou "malavilosa"!
(E não é mesmo?)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lições sobre "bebês"...

Não é novidade prá ninguém que eu realmente me divirto com as conversas que tenho com os meus filhos. É incrível perceber como eles relacionam tudo o que observam e como traduzem essas experiências em palavras. E, é claro, além de incrível, é muito engraçado.
Ontem à tarde fomos a um chá de bebê e, enquanto a pastora orava pela bebê, que estava na barriga da Dri, a Clara perguntou:
- Cadê o nenê, mãe?
- Está no barrigão da tia Dri, filha. Olha lá que barrigão! Ela chama Laura.
Ela olhou prá barriga da Dri, olhou prá mim, olhou prá Dri de novo e completou:
- E ela fala?
Eu respondi que ela ainda era muito pequenininha, ainda não falava.
À noite fomos jantar na casa da vovó Cleuza e do vovô Chico. Meu pai costuma andar só de bermuda pela casa - mesmo no frio. Pois a Clara, ao olhar pro "barrigão" do vovô", aproveitou prá comentar:
- Olha esse nenê, mãe!!! Como ele chama?
Eu só ri e disse que "aquilo" não era nenê. Ainda bem que ela não perguntou o que tinha lá dentro, não é mesmo?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Lições sobre "delicadeza feminina"...

Quem conhece meu filho Miguel sabe que ele, apesar de ser peralta, é bastante obediente e educado. E não é coisa de "mãe coruja", não! Na escola, a professora sempre diz que ele é o único que não dá trabalho, que é cuidadoso com os amigos, etc, etc. Ele é mesmo muito carinhoso.
Quando eu fiquei grávida da Clara, todos diziam que eu ia sentir a maior diferença, que menina é mais delicada, mais dengosa... Eu pensava comigo: minha filha vai ser uma fofa!
Pois ontem tivemos uma prova dessa "delicadeza feminina". A Clara sempre tira um cochilo no carro quando estamos voltando prá casa à tardezinha. Vendo ela com os olhinhos pesados, o Dê perguntou:
- Tá com sono, filhinha?
E ela, arregalando os olhos, falou com voz firme:
- Deixa eu quieta, pai!
É... parece que aquele negócio de "menina delicada e dengosa" funciona mesmo com a filha... dos outros!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Lições sobre "capitalismo"...

Se tem uma coisa que aterroriza crianças em idade pré-escolar é o tal do "dente mole". É uma insegurança absurda: "será que dói?", "eu vou ficar banguela prá sempre?", "e se eu engolir?", e isso é só o começo. Ainda tem a amolação dos tios, avós, tios-avós e afins que ficam com aquele papinho do tipo "mostra a janelinha!". Ser criança não é tão fácil quanto parece!
A Larissa, minha sobrinha, está com o primeiro dentinho mole. Junte medo, manha e um monte de tios amolando... qual será o resultado? Choro de criança, é óbvio!
- Eu não quero que o meu dente caia! Eu não quero!
É praticamente impossível não reparar na Larissa chorando! O Miguel tentou desconversar, dizendo que ela não precisava ter medo, afinal o primo Filipe já tinha perdido pelo menos uns quatro dentinhos da frente, mas não adiantou. A Lalá continuava com a bocona aberta! Prá tentar contornar a situação, uma das tias propôs:
- Olha, Larissa, você tem que ficar feliz, afinal para cada dente que cair você vai ganhar R$ 10,00 de cada tio.
O Miguel então, sem pensar duas vezes, pôs a mão na boquinha e soltou essa:
- R$ 10,00??? Espera aí, tia, que eu já arranco tudo!