segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lições sobre higiene bucal...

A Clara está cada dia mais independente. Ela já come sozinha, toma banho sem banheira (com a minha supervisão, é claro), está deixando as fraldas, enfim, já é quase uma mocinha! Agora eu estou tentando ensiná-la a escovar os dentes. Ela continua insistindo em chupar a pasta, mas eu não desisto fácil. Esses dias eu comprei uma escova nova, "di rosa", prá incentivar a boneca a escovar direito os dentinhos. Ontem eu fiz um teste: pus a pasta na escova, dei na mãozinha dela e fui atender o Miguel, que estava tentando terminar de se vestir. Quando voltei para o banheiro...
- Cadê a Clara?
Sem resposta...
- Miguel, cadê a Clara?
- Não sei, mãe.
- Dê, você viu a Clara?
Foi então que eu escutei a voz do Dê falando bravo:
- Não! Ah, menina, pelo amor de Deus!
Quando nós chegamos na porta da sala vimos a Clara esticando a mãozinha com a escova de dentes enquanto o cachorro lambia a pasta.
- Clara! O que você tá fazendo, minha filha?!? Num é prá escovar o dente do cachorro!
Ela chorou, fez manha. Queria a escova de volta!
Sinceramente não sei mais o que fazer com essa Clara. Ela já se lavou com a água do cachorro, já experimentou a ração... só faltava mesmo compartilhar a escova de dentes!

Lições sobre amor e sinceridade...

Não é novidade prá ninguém que eu sou a mais brava aqui em casa. O Miguel e a Clara já sabem que comigo não tem muita conversa quando o assunto é escovar os dentes, tomar banho, etc, etc, etc. Aliás, quando eles batem o pé e fazem birra, eu entro com a frase:
- Quantas vezes eu tenho que falar prá vocês me obedecerem?
E eles já sabem a resposta:
- Uma vez!
É claro que isso não impede que eles protestem, mas no fim acabam fazendo aquilo que têm que fazer. Meu maior cuidado é para que eles não me vejam como a "carrasca".
Na semana passada, quando cheguei do serviço, deitei um pouco no sofá prá descansar enquanto o Miguel assistia um desenho na TV. Ele pediu para se deitar junto comigo. Ficamos ali, abraçados no sofá vendo TV. De repente ele me disse:
- Sabe, mãe, você é uma mãe muito carinhosa!
Eu fiquei toda dengosa. Aproveitei a oportunidade:
- Que bom que você acha isso, filho. Você também, tem que ser sempre carinhoso. As mulheres gostam de carinho, meu filho.
- É, mãe, mas quando eu tiver uma namorada não vou mais poder fazer carinho em você.
Eu retruquei:
- Claro que vai, Miguel. São carinhos diferentes. Você vai amar sua namorada, mas vai continuar amando a mamãe também. É como eu e o seu pai... eu amo primeiro o seu pai, depois você e a Clara.
Então ele deu o golpe fatal:
- Mãe, você não liga de ser a última?
Eu não entendi:
-Como assim, a última?
- É que eu amo primeiro a Clara e depois o papai. Você eu amo por último!
É... pelo menos eu ainda estou na lista...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lições sobre alfabetização...

O carro é um dos melhores lugares prá puxar papo com os filhos (principalmente porque se você não os distrai conversando correrá o sério risco de bater o carro enquanto eles gritam e tentam chamar a sua atenção!). Hoje o Miguel brincava de soletrar palavras enquanto eu fingia estar prestando toda a atenção. Mas não é que ele estava soletrando certinho? Falava uma palavra, ia silabando e depois falava direitinho as letras. Entrei na brincadeira:
- E pato, filho, como é que se escreve?
- Pato... PA-P-A, TO-T-O.
- Muito bem! E rato?
- Rato... RA-R-A, TO-T-O.
- Isso, filho! E gato?
Comecei a abusar da paciência do garoto...
- Chega mãe!
- É fácil, Mi. Pensa bem...
- Gato... GA-G-A, TO-T-O.
- É isso aí, Miguel. E crocodilo?
Talvez porque "crocodilo" não fosse uma palavra muito fácil de soletrar, talvez porque eu já tivesse exagerado um pouquinho na dose de mãe/professora do dia, ele simplesmente me "tirou".
- Ô, mãe, eu já falei como é que escreve um monte de palavras. Agora já tá bom! Eu tô gastando muito o meu cérebro e tem que sobrar um pouco prá eu ir na escola amanhã.
Eu ri e concordei.
- Tá bom, Miguel, tá bom...
Depois de uns minutinhos de silêncio deu prá escutar ele falando alguma coisa, bem baixinho. Tenho prá mim que era algo do tipo:
- Crocodilo... cro... co...

sábado, 3 de abril de 2010

Lições sobre degustação...

Por mais que eu tenha dito, repetido, exposto meus traumas, meus medos, fui vencida e convencida! Três a um! Temos um cachorro em casa!
Não, ele não é nosso. Estamos com o Kiwi só por um tempo. Enquanto a Thaís e a Larissa (cunhada e sobrinha, donas do meu atual hóspede) decidem certinho o que vão fazer ele passa umas férias com a gente.
O Miguel e a Clara estão amando a idéia. Brincam com o cachorro, pegam ele no colo, dão comida, brigam quando ele faz coco pelo quintal... enfim, interagem com o bichinho. Eu até arrisco um "oi, Kiwi", mas não passa disso.
Um dia desses, enquanto eu estava na sala e os dois pequenos estavam brincando lá fora, estranhei o silêncio. Todos sabem que uma casa com crianças só fica silenciosa se eles estão dormindo ou fazendo arte. Perguntei pro primeiro que vi na frente:
- Miguel, cadê a sua irmã?
- Tá prá lá, mãe, vendo a comida do Kiwi.
Fui até a garagem e qual não foi a minha surpresa quando vejo a Clara agachadinha do lado dos potes de comida e água do cachorro. Ela passava a mãozinha na água, lavava o rosto, pegava um pouquinho da comida e, como se fosse biscoito, colocava na boca.
- CLARA!
Ela levou um susto.
- O que você tá fazendo aí, minha filha.
- Tô papando, mamãe. Qué?
Não preciso nem dizer qual foi a minha resposta, não é mesmo? Só peguei ela no colo e levei direto pro banho. Nunca mais deixo esses dois sozinhos no quintal!

Lições sobre gratidão...

terça-feira, 30 de março de 2010

6 razões para NÃO ter filhos... (3ª razão)

3ª razão
FILHOS NOS TESTAM O TEMPO TODO!
Se você não acredita, dê uma olhadinha nesse vídeo.
Não adianta ficar desesperado, tomar atitudes impulsivas, escolher o caminho aparentemente "mais fácil" (que, como vimos, acaba se tornando o mais difícil!). Filhos exigem paciência e capacidade reflexiva imensas! Eles nos testam quando vão tomar banho, quando vão comer, quando vão dormir, quando vão fazer tarefa... e isso vai desenvolvendo em nós uma percepção que não tínhamos antes. É simples: as crianças não têm a visão do adulto! A noção de tempo prá elas, por exemplo, se restringe ao agora. Por isso esperar para comer a sobremesa depois do almoço é o mesmo que esperar uma eternidade! E não adianta querer que elas entendam que se não estudarem hoje não conseguirão passar na faculdade daqui a 15 ou 16 anos. Isso só é argumento prá nós, que já sabemos muito bem o que isso significa. Em compensação, argumentar com uma criança (e permitir que ela argumente em favor próprio também) desenvolve em nós uma capacidade de compreensão que, certamente, nos será útil no exercício de outros papéis além do de "pai". O que é importante prá elas não é banal, supérfluo... é realmente importante. Mas quem imprime as noções de certo e errado, adequado e inadequado, de tempo e consequência em uma criança somos nós, adultos, com perseverança, paciência e responsabilidade.
Por isso, se você não tiver "saco" prá sustentar o seu NÃO, se estiver acostumado a tomar decisões que exigem de você apenas o mínimo esforço, se acha que "pode tudo, contanto que pare de chorar e não me amole", se sua capacidade argumentativa for menor que a de uma criança (ainda que o único argumento dela seja o choro!), é melhor você NÃO ter filhos... afinal de contas, quando somos testados podemos ser aprovados ou reprovados. E para ser aprovado não basta se submeter ao teste... porém se não nos submetermos, jamais alcançaremos aprovação!

sábado, 27 de março de 2010

Lições sobre "provocar"...

A Clara já está com 2 anos. É impressionante como ela está falando bem! A gente entende absolutamente tudo! Agora ela começou com a mania de ficar fazendo "fusquinha", provocando a gente. Eu só dou risada...
Hoje, enquanto eu estava passando roupa, ela chegou cantarolando o tradicional "lero lero, lero lero...". Quando eu olhei, ela começou:
- Óla, mamãe, óla aqui... eu peguei a chavi, eu peguei a chavi, lelo, lelo...
Vocês sabem que se a gente der muita bola o negócio vai longe. Então eu desconversei:
- É mesmo? Não faz mal! É só não perder!
E ela, que estava com aquela risadinha que franze o nariz e a testa, comum de menina arteira, ficou com uma cara sem graça.
- Num faz mal, mamãe? Ah! Que pena!
Então ela saiu, guardou a chave na caixinha de madeira e voltou com um livro.
- Óla, mamãe, óla aqui... eu peguei o livo, lelo, lelo...